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Estudando no Reino Unido: Minha experiência em meio à pandemia

O começo de tudo

Minha jornada de estudante no UK começou em 2016, quando visitei a UK Universities Fair em São Paulo. Eu tinha terminado minha graduação em jornalismo em 2014 e estava em busca de uma pós-graduação ou mestrado no exterior. Lá conheci a University of East Anglia, localizada em Norwich, no leste da Inglaterra. Além da proposta do curso de mestrado fazer total sentido com os meus objetivos de carreira, as fotos do campus e da cidade me conquistaram.  Ao conversar com o representante deles, Mark Bentley, recebi a indicação da gradeUP e, após um período de reflexão, entrei em contato com o Leo e a Deborah para começar o meu processo. 

A princípio, tudo parece muito complicado. Os documentos, as traduções, as referências, carta de intenção, o teste de proficiência. Porém, a assessoria da gradeUP fez toda diferença, com dicas extremamente valiosas que facilitaram muito a minha vida. Em dezembro de 2017 veio a tão esperada boa notícia: eu fui aceita para cursar o mestrado em Media and Cultural Politics. 

Meu plano inicial era embarcar em setembro de 2018, porém, percalços pessoais e financeiros acabaram me fazendo adiar o sonho. Novamente, a equipe gradeUP brilhou, me apoiando completamente. Eles solicitaram o adiamento da minha offer para o ano seguinte, e, finalmente, em 2019, embarquei para o Reino Unido. 

Reunião pré-embarque

Chegada e adaptação

Após desembarcar em Norwich é que começou a parte difícil: a adaptação. Nunca imaginei que fosse sentir tanta falta do sol e do calor. Fora isso, a distância da família, as diferenças culturais e ter que me acostumar com as peculiaridades de uma cidade pequena fizeram com que o meu primeiro mês aqui fosse muito complicado. Porém, mesmo querendo pular num voo de volta para casa, eu segui o conselho que o Leo me deu na reunião pré-embarque: se envolva. Como sempre cantei, fiz uma audição e entrei para o coral da Universidade. Ia a eventos, passeios e frequentava encontros de diversas ‘societies’. Dito e feito, comecei a fazer amigos e isso marcou o ponto de virada na minha experiência. 

A parte acadêmica também me preocupava. Uma coisa é usar o inglês ocasionalmente no trabalho – minha realidade na época – e outra completamente diferente é ter que frequentar aulas, escrever trabalhos e participar de discussões em inglês. Novamente, só o tempo foi capaz de mostrar que eu estava sim preparada para aquela experiência. Cada trabalho entregue era uma conquista. Cada boa nota só aumentava minha confiança e assim as coisas se ajustavam a cada dia. 

Após 2 meses aqui, eu já me sentia completamente adaptada. Já tinha uma rotina e inclusive tinha conseguido um emprego part-time para ajudar no orçamento mensal. Trabalhei como garçonete no hotel mais antigo da Inglaterra durante o período de festas, conhecendo mais pessoas e me conectando ainda mais com a cultura britânica. 

Fora isso, em janeiro fui selecionada para estagiar na área de Marketing de uma startup, a Coral Eyewear. Criada por um aluno da UEA, a empresa cria armações e óculos de sol com plástico reciclado, que é retirado do oceano. A experiência de interagir com uma equipe tão criativa e de ser parte de um negócio com um propósito tão nobre foi extremamente valiosa. Essa vaga também foi fundamental para abrir as portas para um segundo estágio, que comecei em junho, também na área de Marketing de uma consultoria educacional em Norfolk, para a qual ainda trabalho. 

E a COVID-19?

Claro que eu não poderia falar da minha experiência de estudante no UK sem citar a pandemia. Não vou mentir, foi um balde de água fria. Quando vim para a Europa, estava esperando poder usufruir do benefício de estar perto de tantos outros países. Tinha planos para viagens e minha família já estava se preparando para vir me visitar. Com o início do lockdown em março, tudo isso foi por água abaixo. O medo do vírus e a incerteza sobre quando aquela situação melhoraria foram muito angustiantes. As aulas presenciais foram canceladas e a universidade fechou. Eu, que estava morando no campus, não sabia o que fazer. 

No fim, após muito pensar, optei por ficar no país até terminar a minha dissertação, em setembro. Eu tinha esperança de que as coisas melhorariam durante o verão, quem sabe com a reabertura da biblioteca ou algo assim. Essa se provou ser minha melhor decisão. Acabei mudando do campus e indo morar com uma amiga que conheci na reunião pré-embarque da gradeUP (Oi Andréa!). No verão as coisas de fato melhoraram, a biblioteca reabriu e pude terminar minha dissertação com acesso a todas as comodidades da Universidade. Fora isso, consegui fazer algumas viagens locais, indo para cidades próximas e conhecendo mais de Norfolk. Não era o que eu tinha idealizado, mas fiquei muito grata pela oportunidade em um ano tão difícil.

Valeu a pena?

Em setembro entreguei minha dissertação e consegui atingir meu objetivo. Me graduei como Mestre em Media and Cultural Politics com Distinção – classificação dada aos alunos que tiram ótimas notas no curso. Valeu a pena demais. 

Posso afirmar que sou uma pessoa completamente diferente da Raquel que chegou aqui em 2019, sozinha e assustada. Mais que uma jornada acadêmica, foi um caminho de autoconhecimento e superação que eu jamais imaginei trilhar. Atualmente, eu ainda estou morando na Inglaterra. Meu visto de estudante acaba em março e pretendo ficar aqui até o final, já que ainda estou estagiando. Apesar dos percalços, sou extremamente grata por ter tido essa oportunidade. E, se tivesse a chance, eu faria tudo de novo, sem dúvida.

Dicas

No Brasil:

– Controle a ansiedade: Antes de fazer qualquer coisa, cheque com a equipe da gradeUP. Eles estão aí para te ajudar e eu teria economizado tempo e dinheiro se não tivesse sido tão afobada com alguns passos do processo. 

– Seja ativo: Compareça à reunião pré-embarque e outros eventos que a gradeUP promove ao longo do ano. Além das dicas maravilhosas do Leo, você acaba conhecendo outras pessoas que estão prestes a começar a mesma jornada. Ajuda demais.

No exterior:

– Amizades: Eu sei que é mega difícil, mas vale a pena sair da zona de conforto e fazer amizade com pessoas de outras nacionalidades. Sim, fiz muitos amigos brasileiros, mas não me fechei num grupinho só com eles. A troca de culturas faz a experiência ficar muito mais rica, além de ajudar a melhorar o inglês. 

– Vitamine-se: Se você for para um país com pouco sol, como eu, use e abuse da vitamina D. Tive uma deficiência bem grave dessa vitamina quando cheguei na Inglaterra e fui parar no médico. Geralmente eles vendem comprimidos de vitamina D na farmácia, não precisa de receita. Um por dia e você fica bem! 

–  Estudar e trabalhar: Se você está contando em conseguir um emprego part-time para ajudar nas despesas, venha preparado. Eu achei que seria mais fácil, mas levou um tempo até eu encontrar algo. Esteja disposto a perseverar na procura. No caso da Inglaterra, assim que chegar já vá atrás de tirar o National Insurance Number. É uma espécie de CPF Britânico que você precisa para trabalhar aqui. Mais detalhes você encontra aqui: https://www.gov.uk/national-insurance/your-national-insurance-number

– Comida: Não tenha medo de se aventurar na culinária local. A culinária britânica tem uma fama terrível, mas dei uma chance. Eu tinha um preconceito gigante até que provei o meu primeiro Sunday Roast. Recomendo fortemente scones, Full English Breakfast e, é claro, o chá.

13.abr.2021
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